Aulas grátis de bodyboarding para deficientes visuais


Texto e foto: Simone Castro. Matéria publicada no jornal Diário do Litoral, em 2008.

Praia da Atalaia – Itajaí/SC

A mão gelada e um friozinho na barriga. O vento de outono, mais parecido com o de inverno, deixaram o nervosismo de Rosenilda Ribeiro, 18 anos, e Joice Foster, 17, ainda mais evidente. As duas garotas, deficientes visuais, aguardavam a aula inaugural de bodybording, às 11h da manhã, na Praia da Atalaia, em Itajaí.

As aulas de surf para cegos são oferecidas gratuitamente desde o ano passado, mas o bodyboarding é novidade. Ele foi adotado pelo coordenador do projeto, Jailson Blasius Fernandes, da Associação Escola de Surf Amigos da Atalaia. Com o objetivo de facilitar o contato com a prancha e evitar o medo de quedas e da água, o bodyboarding oferece mais comodidade, pois a pessoa permanece deitada enquanto no surf é exigido mais habilidade, como iniciar o treinamento já em pé na prancha.

Rose e Joice são paratletas. As duas jovens treinam corrida e arremesso de dardos todas as manhãs e pretendem a partir de agora também praticar o bodyboarding para manter mais contato com o mar. Elas estavam eufóricas e com medo da água gelada, mas não desistiram. Depois do alongamento e aquecimento, colocaram a prancha embaixo do braço e enfrentaram as ondas orientadas pelos instrutores Carlos Wanzuita, Thiago de Souza e Thiago Dai Pra, que somam anos de experiência no esporte. Os professores comentaram que nunca trabalharam com deficientes, mas acreditam que será um ótimo aprendizado para todos.

Jailson confirma o palpite dos professores. Ele fabrica pranchas e surfa há 32 anos e diz que é ótimo dar aulas para os cegos, pois eles têm grande facilidade em aprender e muita força de vontade. Outros deficientes visuais que já praticam o surf, como é o caso de Lenilson Luiz Lobo, 27, Rodrigo Lima, 23, e Marcelo Werner, 30, também caíram na água, mas com as pranchas de surf.

Ao todo 14 instrutores trabalham voluntariamente para ensinar nas duas modalidades, mas as aulas de surf não são só para os deficientes. Aproximadamente 25 vagas estão abertas para toda comunidade. É preciso entregar apenas um quilo de alimento não perecível na matrícula. As aulas acontecem aos domingos a cada quinze dias na Praia da Atalaia, a partir das 9h da manhã e às 10h para os deficientes visuais. Mais informações com Jailson, pelo telefone (47) 3344-2949.