Praticar tênis de mesa para manter a saúde


Texto e foto: Simone Castro. Matéria produzida para a matéria de Jornalismo Científico, ministrada pela professora Laura Seligman

Itajaí – Santa Catarina

Gilberto Marcos Onofre não tinha nem seis meses de idade quando os pais notaram que o garoto tinha algo de diferente das outras crianças. Uma pequena batida era o suficiente para marcar o corpo do frágil Gilberto com hematomas que ficavam em sua pele por semanas. A doença foi diagnosticada pelos médicos como hemofilia, um distúrbio genético que não controla sangramentos e transforma pequenos impactos em coágulos. Há 45 anos, a enfermidade era desconhecida e os pais do menino tinham que levá-lo de Itajaí para Curitiba em busca de tratamento.

Gilberto teve uma infância difícil, os médicos disseram para seus pais que ele provavelmente não teria muitos anos de vida e se chegasse na fase adulta, não poderia ter filhos. Isso fez com que o menino brincasse o máximo que podia, aproveitasse cada instante como se fosse o último. Ele jogava bola, corria, andava de bicicleta escondido da mãe, que inutilmente tentava evitar os excessos do filho. Mas, foi só na adolescência que Gilberto conseguiu  “sossegar o faixo”. Ele descobriu o pingue-pongue e depois, o tênis de mesa amador.

O garoto cresceu e para manter a mulher e seus quatro filhos, tornou-se relojoeiro. Por um longo período a raquete e as bolinhas ficaram de lado na vida de Gilberto. Por causa da doença, ele ficou com algumas sequelas que consequentemente atrapalharam sua locomoção, mas não o seu esforço e garra na hora de disputar uma partida.

Há aproximadamente dois anos, Gilberto voltou a treinar com o professor Edson Luis da Silva, o “Cebola” e hoje o tênis de mesa contribui para a sua recuperação. Os treinos ajudam no fortalecimento dos músculos comprometidos pela doença e estimulam Gilberto, que joga de igual para igual com os outros atletas sem deficiência física alguma. No Campeonato Brasileiro de Tênis de Mesa do ano de 2007, ele foi oitavo colocado na categoria paradesporto C8, voltado para atletas com menor grau de deficiência.

O grande objetivo agora do esportista é ficar entre os cinco primeiros colocados no ranking brasileiro. Gilberto garante que para ser um atleta é preciso dar tudo de si. “Para ser atleta de rendimento não tem como pensar só em fazer esporte por prazer, tem que treinar, treinar, dar o sangue”.

Hoje, Gilberto além de atleta é professor das escolinhas de tênis de mesa para as crianças de 6 a 16 anos do Esporte nos Bairros. Ele garante que a modalidade estimula a concentração, a coordenação motora das crianças, além de instigar ações de responsabilidade e comprometimento. Para ele, a atividade como professor também complementa seu treinamento, pois  fortalece o psicológico e sua musculatura. Uma forma de instigá-lo a buscar sempre mais.

Um pouco sobre a história do esporte

A bolinha passa de um lado para outro, tão rápida, que os olhos mal conseguem acompanhar. São pequenos movimentos estratégicos que transformam a rota da bola ou intensificam um efeito. Parece simples, mas exige técnica e raciocínio rápido.

O tênis de mesa foi inventado no século 19, na Inglaterra, em uma tentativa de se assemelhar ao tênis de campo. Como o barulho da bolinha ao se chocar com as velhas raquetes de madeira emitiam o som de ping-pong, o esporte ficou conhecido popularmente desta forma. Depois de alguns anos, uma empresa registrou o nome pingue-pongue como um brinquedo infantil e o esporte profissional passou a ser denominado tênis de mesa.

Em Itajaí, a Associação Itajaiense de Tênis de Mesa (AITM) desenvolve um trabalho de base que alia o esporte de rendimento ao esporte comunitário, onde muitos talentos mirins foram descobertos no ensino da modalidade no programa Esporte nos Bairros. Atualmente são aproximadamente 80 crianças que estão aprendem o esporte nos pólos Amjaprocor, em Cordeiros, Praça da Amizade, no bairro Imaruí e no Ginásio de Esportes Gabriel Collares, Vila Operária.

Neste mesmo ginásio, cerca de 20 esportistas do grupo de rendimento treinam diariamente. Eles têm idades que variam dos sete até 45 anos, como é o caso de Gilberto Marcos Onofre, um dos nomes de maior destaque do grupo. Muitos destes atletas foram descobertos através das escolinhas e sonham em chegar no lugar mais alto do pódio.